Externalidades e Compliance

As externalidades são os efeitos colaterais da produção de bens ou serviços sobre outras pessoas que não diretamente envolvidas com uma determinada atividade. Isto é, as externalidades são o impacto de uma decisão sobre demais pessoas que não participaram dessa decisão. Elas podem ter efeitos positivos ou negativos, isto é, podem representar um custo para a sociedade, ou podem gerar benefícios à mesma.

As externalidades e seus efeitos positivos e negativos foram estudados por Ronald Coase o que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Economia no ano de 1991, com o Teorema de Coase.

Na seara econômica a proposição de Coase é que, a grosso modo, as ações/decisões de uma empresa são capazes de gerar efeitos (externalidades) positivas e negativas na sociedade. Exemplificando: uma determinada indústria, ao produzir, gera resíduos de potencial dano ambiental e os descarta de forma inadequada no rio próximo à localidade em que está instalada, gerando danos, prejuízos a toda a população que vive no entorno e depende desse rio de alguma forma (direta ou indiretamente), seja para pesca, abastecimento hídrico, manutenção climática, surgimento de pragas em lavouras (pois a ação afeta também a mata ciliar). Podemos perceber que o dano causado atinge as mais diversas pessoas, muitas das quais nem sequer se veem como dependentes diretas do citado rio, uma vez que haverá contaminação da água e do solo, o que traz prejuízos à saúde, prejuízos às lavouras (com o aumento de pragas), o que encarecerá os alimentos e os tornará mais carregados de agrotóxicos e pesticidas, entre tantas outras consequências negativas que vão envolvendo um incontável número de elementos e pessoas.

Da mesma forma, uma empresa que produz alimentos e o faz de forma sustentável, envolvendo em seu processo produtivo todo tipo de cuidado: ambiental, de força de trabalho, de responsabilidade social etc. É capaz de gerar efeitos (externalidades) positivas: boa qualidade do produto produzido, reduzindo os custos a curto e longo prazo com saúde,  manutenção de um meio ambiente limpo e sustentável, reduzindo a produção de resíduos, garantindo a qualidade das águas e do solo, o que contribui para uma redução de custos com saúde e revitalização ambiental, uso de força de trabalho com idade adequada e salário, carga horária apropriada e ambiente salubre, o que reduz desde custos de saúde, até custos judiciários e assim por diante, gerando uma grande ação em cadeia de resultados (externalidades) positivos.

Feitas essas considerações surge a questão: onde as externalidades e o compliance se encontram e podem gerar benefícios sociais e econômicos?

Se partirmos da premissa que o compliance tem por finalidade à adequação de uma empresa ou negócio a normas (internas e externas) e que essas normas são aquelas que visam o bem maior em detrimento de interesses puramente econômicos individuais, temos que desenha-se aqui um binômio de grande possibilidade de sucesso, não apenas para as empresas que aderem ao compliance de forma séria, mas a toda a sociedade na qual esse negócio está inserido.

As ações tomadas em conformidade com princípios éticos, econômicos, sociais e  legais bem desenhados gerarão externalidades positivas, as quais, em cadeia, se estenderão à toda sociedade.

Os benefícios sociais já estão demonstrados, passemos então aos benefícios econômicos: como / o que minha empresa ganha com a adoção dessas medidas?

A primeira resposta é: credibilidade e respeito no mercado.

Pode soar utópico ainda, mas cada dia mais a sociedade e, principalmente, as novas gerações vêm se preocupando com as externalidades geradas por cada segmento da economia. Ainda uma pessoa que nunca tenha ouvido falar no termo externalidade ou compliance, ao escolher entre um ou outro produto igual ou similar, ou um ou outro serviço igual ou similar, opta por aqueles que lhe transmitem mais credibilidade e respeito, pois veem que sua opção pode fazer diferença econômica e social, estando, muitas vezes, dispostas, inclusive, a pagar um pouco mais por produto ou serviço no qual veem algum valor agregado.

Está criado o círculo de retorno da responsabilidade social, o empresário investe em ações que não estão diretamente ligadas ao seu core bussines (objetivo do negócio), mas que são capazes de reverter em prol de toda a sociedade, retornando para eles (empresários) na forma de lucro, seu objetivo maior.

Percebemos, assim, que compliance vai muito além de prevenção à corrupção, alcança pontos da gestão empresarial capazes de transformar não apenas os negócios, mas a sociedade como um todo: ganha a empresa, ganha a sociedade. Difunde-se a ideia de que cada ação, cada decisão deve ser analisada com o máximo de cautela e tomada sempre em consonância com os princípios éticos e morais que norteiam aquela instituição, pois elas (ações e decisões) se reverterão em prol ou prejuízo de toda a sociedade e da empresa. Cria-se um círculo virtuoso envolvendo a todos, fazendo com que cada um (cidadão, empresário) passe a ser fiscal de si mesmo e dos outros, num movimento em que todos temos a ganhar.

BCompliance – Desenvolvimento, Tecnologia e Informação a serviço da Ética e da Integridade.

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