LGPD e Direitos dos Titulares: A Importância de um Canal de Comunicação Eficiente
A proteção de dados pessoais deixou de ser um tema restrito ao setor jurídico ou de tecnologia. Com a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, compreender quem são os titulares de dados, quais são seus direitos e a importância de se ter um Canal de Comunicação LGPD eficiente tornou-se indispensável para empresas e profissionais que tratam dados pessoais.
Se você deseja entender de forma clara, aprofundada e prática como isso funciona, este guia foi feito para você.
O que são dados pessoais?
Para compreender quem é o titular, é preciso começar pelo conceito de dado pessoal.
Dado pessoal é qualquer informação que identifique ou possa identificar uma pessoa natural, direta ou indiretamente.
Exemplos incluem:
- Nome e sobrenome
- CPF e RG
- Endereço, telefone e e-mail
- Placas de veículos
- Dados financeiros
- Localização geográfica
- Características físicas
- Dados digitais (cookies, IP, identificadores online)
Quando os dados dizem respeito à saúde, origem racial, convicção religiosa, vida sexual ou dados biométricos, eles são classificados como dados pessoais sensíveis, exigindo ainda mais cautela no tratamento.
Quem são os titulares de dados?
Os titulares de dados são todas as pessoas naturais (indivíduos) a quem os dados pessoais se referem.
Em outras palavras, qualquer cidadão que fornece — de forma consciente ou não — informações sobre si ao contratar serviços, adquirir produtos ou simplesmente navegar na internet.
Exemplos de titulares de dados
- Clientes de uma loja física ou online
- Pacientes de clínicas e hospitais
- Funcionários, terceirizados e prestadores de serviço
- Usuários de aplicativos, redes sociais e sites
- Assinantes de newsletters
- Candidatos a vagas de emprego
O que significa ser titular de dados?
Ser titular significa ter controle ou, ao menos, muito mais controle do que antes da LGPD, sobre como suas informações são coletadas, utilizadas, armazenadas e compartilhadas.
A LGPD estabelece que a titularidade dos dados pessoais pertence ao indivíduo, e não às organizações que os tratam. Essa mudança rompe com a lógica tradicional, na qual organizações acumulavam informações quase sem limites.
A lei assegura aos titulares um conjunto de direitos que garantem transparência, controle e segurança sobre o tratamento de suas informações. Esses direitos reforçam a ideia de que o dado pertence ao indivíduo, enquanto as organizações apenas o utilizam dentro de regras claras, limites e responsabilidades.
A seguir, cada direito é detalhado de forma prática, com exemplos do cotidiano.
1. Direito de confirmação de tratamento
Permite ao titular perguntar a qualquer empresa ou instituição se ela realiza o tratamento (coleta, armazenamento, uso ou compartilhamento) de seus dados pessoais.
É o primeiro passo para o exercício dos demais direitos.
Exemplos práticos:
- Um cliente pode perguntar a uma loja online: “Vocês armazenam meu CPF?”
- Uma pessoa que se cadastrou em uma newsletter há anos pode querer saber se seus dados ainda constam no sistema.
A empresa deve fornecer resposta clara, gratuita e acessível, por meio de um canal adequado de atendimento.
2. Direito de acesso
Permite que o titular saiba exatamente quais dados a organização possui e para quais finalidades eles são utilizados.
Por que é importante?
Evita:
- Coleta excessiva
- Uso não informado
- Acúmulo desnecessário de informações
Exemplo:
Ao solicitar acesso, o titular pode receber:
- Nome, e-mail e telefone cadastrados
- Histórico de compras
- Preferências coletadas por cookies
- Registros de atendimento
Além disso, deve ser informado como os dados são utilizados (marketing, emissão de nota fiscal, análise de perfil etc.).
3. Direito de correção
Permite a atualização de dados desatualizados, incompletos ou incorretos.
Importância prática:
- Endereço errado pode causar perda de entregas.
- Erro no CPF pode impedir aprovação de crédito.
- E-mail incorreto pode bloquear comunicações importantes.
A empresa deve realizar a correção em prazo razoável após a solicitação.
4. Direito de anonimização, bloqueio ou eliminação
Um dos direitos mais relevantes, pois permite intervenção direta no tratamento dos dados.
Anonimização
Transforma o dado de forma que ele não possa mais identificar o titular.
Exemplo:
Remoção de informações identificáveis de uma base estatística.
Bloqueio
Suspensão temporária do uso dos dados.
Aplicável quando:
- Há contestação sobre a veracidade das informações.
- Existem dúvidas quanto à legalidade do tratamento.
Durante o bloqueio, os dados não podem ser utilizados.
Eliminação
Exclusão definitiva de dados desnecessários, excessivos ou tratados de forma irregular.
5. Direito à portabilidade
Permite a transferência de dados para outro fornecedor de serviço.
Exemplos:
- Migração entre instituições financeiras
- Transferência de histórico entre plataformas digitais
- Mudança de operadora de serviços
Esse direito estimula a concorrência e evita o aprisionamento do usuário por meio de seus dados.
6. Direito à eliminação dos dados tratados com consentimento
Quando o tratamento tem como base o consentimento, o titular pode solicitar a exclusão a qualquer momento.
Exemplos:
- Cancelamento de envio de promoções
- Retirada de participação em pesquisa
Há exceções, como obrigações legais de guarda de dados (por exemplo: fiscais e trabalhistas).
7. Direito à informação sobre compartilhamento
O titular pode saber com quem seus dados foram compartilhados e para qual finalidade.
Isso inclui:
- Parceiros comerciais
- Operadores terceirizados
- Plataformas tecnológicas
- Empresas de logística e pagamento
A transparência é essencial para que o titular compreenda o fluxo de seus dados.
8. Direito de revogação do consentimento
O consentimento pode ser retirado a qualquer momento, e a revogação deve ser simples.
Exemplos:
- Cancelar newsletter
- Desativar geolocalização
- Retirar autorização para marketing
Após a revogação, o tratamento baseado no consentimento deve cessar.
9. Direito de oposição
O titular pode se opor ao tratamento realizado com base em:
- Interesse legítimo
- Execução de contrato
- Proteção ao crédito
- Exercício regular de direito
Desde que apresente justificativa, a empresa deverá avaliar o pedido e fundamentar sua decisão.
10. Direito de não ser submetido exclusivamente a decisões automatizadas
Protege o titular quando decisões relevantes são tomadas por sistemas automatizados.
Situações comuns:
- Negação de crédito
- Reprovação em processo seletivo
- Precificação automatizada
O titular pode solicitar:
- Revisão humana
- Explicação dos critérios utilizados
Esse direito promove transparência e reduz riscos de discriminação algorítmica.
A importância do Canal LGPD para o exercício desses direitos
Para que todos esses direitos sejam efetivos na prática, é fundamental que as organizações disponibilizem um Canal LGPD estruturado, acessível e eficiente.
O Canal LGPD é o meio formal pelo qual o titular pode:
- Solicitar confirmação de tratamento
- Pedir acesso, correção ou eliminação de dados
- Revogar consentimento
- Exercer o direito de oposição
- Solicitar revisão de decisões automatizadas
- Esclarecer dúvidas sobre tratamento e compartilhamento
Sem um canal claro e funcional, os direitos previstos na lei se tornam apenas teóricos.
Um Canal LGPD eficiente deve:
- Ser de fácil localização (site, política de privacidade, contratos)
- Permitir identificação segura do titular
- Registrar e acompanhar solicitações
- Garantir prazos razoáveis de resposta
- Oferecer linguagem clara e acessível
Além de cumprir obrigação legal, o canal demonstra compromisso com transparência, governança e respeito ao titular.
Papel do Encarregado (DPO)
Muitas organizações estruturam esse canal por meio do Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais (também conhecido como DPO), figura prevista na LGPD como elo entre controlador, titulares e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Seu papel inclui receber solicitações, prestar esclarecimentos, analisar pedidos de acesso, correção, eliminação e outras demandas, além de viabilizar comunicação organizada e em prazos adequados — especialmente relevante para empresas de maior porte ou com tratamento intensivo de dados.
Responsabilidades das empresas
Cumprir a LGPD é uma obrigação legal. Isso inclui:
- Informar claramente sobre práticas de tratamento (política de privacidade)
- Justificar cada operação com dados pessoais
- Garantir segurança da informação
- Atender solicitações dos titulares dentro dos prazos legais
- Evitar coleta excessiva
O descumprimento pode resultar em:
- Multas
- Advertências
- Publicização da infração
- Bloqueio ou eliminação de dados
- Danos reputacionais
Conclusão: o titular no centro da proteção de dados
A LGPD transformou a forma como as informações pessoais são tratadas no Brasil. Ao reconhecer o titular como verdadeiro detentor de seus dados, a lei fortalece a cidadania, reduz abusos e amplia a responsabilidade das organizações.
Entender quem são os titulares de dados e quais são seus direitos é essencial tanto para empresas que precisam cumprir a legislação quanto para cidadãos que desejam exercer sua autonomia e proteger sua privacidade em um mundo cada vez mais digital.
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